A missa
Para que serve tudo o que acontece antes das leituras?
A missa por dentro: os ritos iniciais
Do canto de entrada à oração do dia: o que transforma pessoas que chegaram em assembleia.
Quem chega à missa chega sozinho — cada um com o seu dia nas costas. Os ritos iniciais existem para transformar essas pessoas numa assembleia, e para dispô-las a ouvir a Palavra e celebrar a Eucaristia (Instrução Geral do Missal Romano, n. 46).
São curtos, e justamente por isso costumam passar sem que se note o que são.
O canto de entrada
Não é música de fundo enquanto o padre caminha. Serve para abrir a celebração, unir as vozes de quem está ali e introduzir o mistério do tempo ou da festa daquele dia (IGMR, n. 47). Cantar junto é a primeira coisa que a assembleia faz como assembleia.
O beijo no altar
Ao chegar, o sacerdote se inclina e beija o altar. O gesto é dirigido a Cristo: na tradição da Igreja, o altar o representa, e por isso recebe reverência, incenso e beijo (IGMR, n. 49). Em muitas igrejas há relíquias de mártires sob ele.
O sinal da cruz e a saudação
A saudação que abre a missa não é um bom-dia. É a declaração de que o Senhor está no meio dos que se reuniram, e a resposta da assembleia devolve o mesmo (IGMR, n. 50). Da primeira palavra em diante, quem fala já não é um grupo de pessoas: é a Igreja.
O ato penitencial
Antes de ouvir e antes de comer, reconhecer-se pecador. É breve de propósito, e termina com a absolvição do sacerdote — que NÃO substitui a confissão quando há pecado grave (Catecismo, n. 1385, 1457). Em seguida vem o pedido de misericórdia, que a liturgia conservou em grego: Kyrie.
O Glória
É um hino antiquíssimo, dos primeiros séculos, e não se canta todo dia: entra nos domingos fora do Advento e da Quaresma, nas solenidades e nas festas (IGMR, n. 53). A ausência dele durante a Quaresma é proposital — a falta se sente, e é isso que ela quer dizer.
A oração do dia
Antes dela, o sacerdote convida a rezar e faz-se silêncio. Esse silêncio não é uma pausa técnica: é o momento em que cada um se dá conta do que veio pedir (IGMR, n. 54).
Depois, a oração recolhe tudo isso numa só — por isso ela se chama também coleta, de colher, juntar. O Amém que a assembleia responde no fim faz dela a oração de todos.
Terminados os ritos iniciais, a assembleia se senta. Começa a liturgia da Palavra.