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A Igreja na história

Se tudo aconteceu em Jerusalém, por que o centro da Igreja é Roma?

Por que Roma, e não Jerusalém

Porque o centro não é o lugar dos acontecimentos: é onde está o sucessor de Pedro.

A pergunta é boa e quase ninguém a faz em voz alta. Jesus viveu, morreu e ressuscitou em Jerusalém. A Igreja nasceu lá, em Pentecostes. E o centro dela está a dois mil e trezentos quilômetros dali, numa cidade onde ele nunca pôs os pés.

Porque Pedro foi para Roma

A razão é simples de dizer: o centro da Igreja não é o lugar onde as coisas aconteceram, é onde está o sucessor de Pedro.

Pedro presidiu primeiro a comunidade de Jerusalém. Depois foi para Antioquia e, por fim, para Roma — capital do império, para onde convergia todo mundo. Ali morreu, sob Nero, e ali foi sepultado. O bispo de Roma é o sucessor dele, e é por isso que a sé romana tem a primazia (Catecismo, n. 880-882).

Se Pedro tivesse morrido em Antioquia, o centro da Igreja seria Antioquia.

Porque Jerusalém deixou de ser um centro

Há também um motivo histórico duro. Em 70 d.C. os romanos destruíram Jerusalém e o Templo, e a comunidade cristã de lá se dispersou. A cidade foi arrasada de novo em 135 e reconstruída como colônia romana, com os judeus proibidos de entrar.

A sé de Jerusalém continuou existindo e é venerada como mãe de todas as Igrejas, mas deixou de ter as condições de ser o centro de governo de nada.

E há uma razão de fundo

A mais importante das três não é histórica.

Quando a samaritana pergunta a Jesus onde se deve adorar — se no monte dos samaritanos ou em Jerusalém —, ele responde que chega a hora em que não será nem num nem noutro, porque os verdadeiros adoradores adorarão em espírito e verdade (cf. Jo 4,21-23).

O cristianismo não tem um templo único como o de Jerusalém, nem uma cidade a que se deva peregrinar para cumprir a lei. Toda igreja onde se celebra a Eucaristia é lugar de encontro com Deus. Roma é o centro de comunhão e de governo, e não um lugar sagrado que as outras não sejam.

E o Vaticano?

O Vaticano era uma colina fora dos muros de Roma, com um circo onde se faziam execuções — foi ali que Pedro morreu e foi enterrado. Sobre o túmulo ergueu-se uma basílica no século IV, e depois a atual.

O Estado da Cidade do Vaticano, com seus quarenta e quatro hectares, é de 1929. Não existe para dar poder ao papa: existe para garantir que ele não seja súdito de governo nenhum ao falar à Igreja do mundo inteiro.

A Terra Santa continua sendo a Terra Santa

Nada disso diminui Jerusalém. Os lugares onde Jesus viveu são venerados desde os primeiros séculos, e a peregrinação a eles nunca cessou. Desde 1342 os franciscanos mantêm a Custódia da Terra Santa, encarregada de cuidar dos santuários — presença que atravessou setecentos anos de guerras e mudanças de governo.

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