A Igreja na história
É verdade que as universidades nasceram da Igreja?
A Igreja e as universidades
Nasceram das escolas das catedrais e dos mosteiros, e foram os papas que lhes deram autonomia.
A universidade, como instituição, é uma criação da Idade Média europeia — e nasceu dentro da Igreja.
De onde vieram
Antes delas havia as escolas das catedrais e dos mosteiros, que ensinavam o clero e, aos poucos, quem mais quisesse aprender. O III Concílio de Latrão, em 1179, obrigou cada catedral a manter um mestre para ensinar gratuitamente os alunos pobres.
Dessas escolas cresceram as primeiras universidades: Bolonha por volta de 1088, Paris em meados do século XII, Oxford pouco depois, Salamanca em 1218, Coimbra em 1290.
O que os papas lhes deram
Não foi só origem: foi proteção. As cartas papais davam às universidades algo raríssimo na época — autonomia diante do poder local. O bispo e o prefeito não mandavam nelas; os mestres podiam eleger seus dirigentes, fixar seus estatutos e julgar seus próprios membros.
E davam o direito de conceder graus válidos em toda a cristandade, e não apenas na cidade onde se estudou. É a origem remota do diploma reconhecido além-fronteiras.
O que se estudava
Teologia, sim — mas também direito, medicina e o que então se chamava filosofia natural, de onde sairia a ciência moderna. Foi nas universidades medievais que se firmou o hábito de submeter uma afirmação a objeções e respostas antes de aceitá-la, que é um antepassado do método científico.
O que isso não quer dizer
Duas ressalvas, porque a história contada só pela metade não convence ninguém.
Não quer dizer que a Igreja inventou o estudo: houve escolas notáveis na Grécia, em Alexandria, no mundo islâmico e na China muito antes. O que nasceu na Europa medieval foi a forma institucional da universidade — corporação autônoma, com graus, currículo e estatutos.
E não quer dizer que a relação foi sempre pacífica. Houve condenações de doutrinas ensinadas nas universidades, disputas duras sobre Aristóteles, e o caso de Galileu, três séculos depois, que a Igreja levou até 1992 para reconhecer publicamente como erro.
O que mais veio junto
A mesma rede que gerou as universidades gerou os hospitais de acolhimento ao doente pobre, e os mosteiros onde monges copistas preservaram boa parte da literatura antiga que hoje se lê — inclusive a pagã, que não lhes interessava defender.
E a lista de cientistas que eram padres é mais longa do que se imagina: Gregor Mendel, monge agostiniano, fundou a genética com ervilhas de um jardim de mosteiro; Georges Lemaître, padre belga, propôs a teoria que ficaria conhecida como Big Bang.