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Dúvidas comuns

Por que os católicos usam a imagem de Jesus crucificado, se ele ressuscitou?

Por que a cruz da Igreja tem Jesus nela

O crucifixo não nega a ressurreição: mostra a hora em que fomos salvos. A mesma Igreja que o põe no altar professa em cada missa que Cristo ressuscitou.

A pergunta é justa, e quem a faz costuma fazê-la de boa-fé: se Cristo venceu a morte, por que guardar a imagem dele morto? A resposta católica não é que a ressurreição seja menos importante — é que a cruz é o lugar onde a salvação aconteceu, e a Igreja não quer tirar os olhos dela.

O apóstolo pregava Cristo crucificado

São Paulo escrevia a comunidades que já criam na ressurreição — ele mesmo dizia que, se Cristo não ressuscitou, a fé é vazia (cf. 1Cor 15,14). E ainda assim resumiu sua pregação assim: nós anunciamos Cristo crucificado (cf. 1Cor 1,23). Aos coríntios disse que entre eles não quis saber de outra coisa senão Jesus Cristo, e este crucificado (cf. 1Cor 2,2); aos gálatas, que só se gloriaria na cruz (cf. Gl 6,14). Não é escolha entre a cruz e o túmulo vazio: quem prega o Crucificado prega o que ressuscitou.

Uma imagem mostra um momento, não uma situação

Ninguém que monta o presépio no Natal pensa que Jesus continua deitado na palha. A imagem não diz o que está acontecendo agora: diz o que aconteceu, e por que importa. O crucifixo funciona do mesmo jeito. Tanto que a Igreja também representa o Ressuscitado — e em muitas igrejas a própria cruz traz Cristo vestido como rei e sacerdote, já glorioso.

Por que fica junto do altar

Na missa não se repete o sacrifício de Cristo: torna-se presente aquele único sacrifício da cruz, oferecido uma vez por todas (Catecismo, n. 1366-1367). Por isso as normas da celebração pedem que haja, sobre o altar ou perto dele, uma cruz com a imagem de Cristo crucificado (Instrução Geral do Missal Romano, n. 308). O crucifixo ali não é enfeite: é a explicação do que está sendo feito.

A Igreja professa a ressurreição em voz alta

Em toda missa de domingo se reza o Credo, onde se diz que ao terceiro dia ressuscitou. A Páscoa é a maior festa do ano, e o tempo pascal dura cinquenta dias — mais que o Natal. O círio aceso ao lado do altar nesse tempo é o sinal de Cristo vivo. A Igreja ensina que a ressurreição é a verdade que coroa a fé em Cristo (Catecismo, n. 638). Quem visita uma igreja católica na Páscoa não encontra luto nenhum.

Cruz e ressurreição são o mesmo mistério

A fé cristã não separa as duas coisas. Morte e ressurreição formam um só acontecimento, que a Igreja chama de mistério pascal, e é ele que a liturgia celebra (Catecismo, n. 1085). Jesus falou da própria cruz como o momento de ser levantado da terra para atrair todos a si (cf. Jo 12,32). Olhar para o Crucificado não é parar na morte: é olhar para onde o amor foi até o fim.

Se alguém da família perguntar

Vale responder sem disputa. A cruz sem a imagem, usada por muitos irmãos evangélicos, também é sinal cristão, e o católico não tem nada contra ela — na Sexta-feira Santa a Igreja venera a própria cruz. A diferença não é sobre quem crê mais na ressurreição, e discutir como se fosse isso só afasta. A veneração de imagens vem do fato de que Deus se fez homem e pôde ser visto (Catecismo, n. 2131): é essa a razão de haver imagem, e não a de prender Cristo num instante.

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