Espírito Santo
Novena do Espírito Santo
Os nove dias entre a Ascensão e Pentecostes — a novena mais antiga da Igreja.
Esta é a mais antiga das novenas, e a única que a própria Escritura descreve: os discípulos ficaram em Jerusalém, perseverando juntos na oração, entre a Ascensão e o dia de Pentecostes (cf. At 1,12-14).
Pentecostes é festa móvel, e cai cinquenta dias depois da Páscoa. Por isso esta novena não tem data fixa: começa na sexta-feira depois da Ascensão e termina no sábado antes de Pentecostes. O aplicativo mostra o dia certo de cada ano.
Dia 1 — Ficar na cidade
A ordem que os discípulos receberam não foi sair pregando: foi esperar (cf. At 1,4). Depois de três anos seguindo alguém, a instrução é ficar parado.
Esperar junto é mais difícil que agir sozinho, e é o que eles fizeram.
Hoje: identifique uma decisão que você quer tomar por impaciência, e adie-a até o fim desta novena.
Dia 2 — Com Maria, e com os outros
O texto faz questão de dizer quem estava ali: os onze, algumas mulheres, Maria e os irmãos de Jesus (cf. At 1,14). Gente que semanas antes tinha fugido.
Não era um grupo de heróis. Era um grupo que voltou.
Hoje: reze esta novena com pelo menos mais uma pessoa, nem que seja por mensagem combinando o horário.
Dia 3 — O que foi prometido
Jesus tinha dito que enviaria outro Defensor, que ficaria com eles para sempre e lhes ensinaria tudo (cf. Jo 14,16.26). A palavra grega traduzida por Defensor é a de quem fica ao lado, no tribunal, do lado do réu.
Hoje: peça pelo dom que você mais precisa, dizendo o nome dele em voz alta.
Dia 4 — O vento que não se sabe de onde vem
Ao falar do Espírito, Jesus usa a imagem do vento: ouve-se o som, mas não se sabe de onde vem nem para onde vai (cf. Jo 3,8).
É um jeito honesto de dizer que não se controla, e que se reconhece pelos efeitos — não pela emoção do momento.
Hoje: olhe para trás e aponte uma mudança sua que você não conseguiu produzir por esforço.
Dia 5 — Sabedoria e entendimento
A tradição da Igreja fala de sete dons, a partir de uma passagem de Isaías sobre o rebento de Jessé (cf. Is 11,2). Os dois primeiros têm a ver com enxergar: a sabedoria, que dá gosto pelas coisas de Deus, e o entendimento, que faz compreender o que se crê.
Hoje: leia devagar um trecho curto do Evangelho e fique com uma frase só.
Dia 6 — Conselho e fortaleza
Conselho é saber o que fazer numa situação concreta; fortaleza é aguentar fazer. Um sem o outro não anda: gente lúcida que não sustenta a decisão, e gente firme que sustenta a decisão errada.
Hoje: peça luz para uma escolha concreta que você tem de fazer esta semana.
Dia 7 — Ciência e piedade
A ciência, aqui, não é erudição: é ver as coisas criadas no lugar que elas têm. E piedade é o trato de filho, não de súdito — a mesma palavra que permite chamar Deus de Pai (cf. Rm 8,15).
Hoje: agradeça por três coisas comuns, nomeando cada uma.
Dia 8 — Temor de Deus
É o dom mais mal entendido. Não é medo de castigo: é o cuidado de quem não quer estragar o que ama. A Escritura o chama de princípio da sabedoria (cf. Pr 9,10).
Hoje: examine uma área da sua vida em que você anda descuidado, e corrija uma coisa pequena.
Dia 9 — O dia
No dia de Pentecostes, o que veio não foi uma sensação: veio um estrondo, algo como línguas de fogo, e homens que estavam trancados saíram falando de modo que cada um os entendia na própria língua (cf. At 2,1-11).
O sinal de que o Espírito agiu não foi o que sentiram. Foi terem saído.
Hoje: faça uma coisa que a sua fé pede e que você vinha adiando por vergonha.