Nossa Senhora Aparecida
Novena de Nossa Senhora Aparecida
Nove dias com a padroeira do Brasil, da rede vazia dos pescadores ao envio.
Festa em 12 de outubro.
Em outubro de 1717, três pescadores do rio Paraíba do Sul passaram o dia sem pegar nada. Precisavam de peixe para a mesa de um governador que passaria por ali. Lançaram a rede muitas vezes, e muitas vezes ela voltou vazia.
Já rio abaixo, longe do ponto onde tinham começado, a rede trouxe o corpo de uma pequena imagem de barro, sem a cabeça. Lançaram de novo, e veio a cabeça. Dali em diante, conta o relato, a pescaria foi tão farta que tiveram medo de o barco afundar.
Esta novena acompanha nove dias com essa mãe encontrada na água escura por gente que trabalhava e não tinha resultado. Reze no horário que puder; se esquecer um dia, retome sem culpa.
Dia 1 — A rede vazia
Comece pelo lugar mais honesto: aquilo que na sua vida não está dando certo por mais que você insista. O trabalho que não rende, a conversa que não avança, a oração que parece não chegar a lugar nenhum.
Os três pescadores estavam exatamente aí. Não eram homens de pouca fé nem preguiçosos: tinham trabalhado o dia inteiro, e o rio não devolveu nada.
No Evangelho há uma cena parecida. Pescadores que passaram a noite sem pegar nada ouvem de Jesus que lancem a rede outra vez, e Pedro responde que, só porque é ele quem manda, vai lançar (cf. Lc 5,1-11).
É disso que se trata hoje: lançar de novo, sem garantia.
Hoje: diga a Maria, com suas palavras, qual é a sua rede vazia. Não peça ainda solução; só conte.
Dia 2 — Encontrada em pedaços
A imagem não veio inteira. Veio o corpo primeiro, sem cabeça, e depois a cabeça. Foi preciso juntar as duas partes para que houvesse de novo uma imagem.
Vale demorar nisso. O que os pescadores tiraram da água era, à primeira vista, um pedaço de barro quebrado — coisa que qualquer um jogaria fora.
Há partes suas que andam separadas: o que você é em casa e o que você é no trabalho, o que você acredita e o que você faz, o que diz e o que sente. Deus não pede que você chegue inteiro para ser recebido. Ele junta.
Hoje: identifique uma coisa sua que está partida em duas, e peça que seja reunida. Não é preciso resolvê-la hoje.
Dia 3 — O sim
Antes de ser encontrada num rio do Brasil, Maria foi encontrada por um anjo numa aldeia sem importância. O que lhe foi pedido não tinha explicação, e ela mesma perguntou como aquilo poderia acontecer (cf. Lc 1,26-38).
O sim dela não veio da certeza. Veio da confiança em quem pedia.
Repare que ela não pediu para entender antes de aceitar. Pediu para entender e, sem entender, aceitou.
Hoje: há algo que Deus parece estar pedindo de você e que você adia por não entender inteiro? Diga sim a um pedaço pequeno disso hoje.
Dia 4 — A que vai depressa
Logo depois de aceitar, Maria põe-se a caminho. Vai depressa à casa da prima idosa que estava grávida, e fica com ela cerca de três meses (cf. Lc 1,39-45).
Ninguém lhe pediu isso. Ela acabara de receber a maior notícia que uma pessoa já recebeu e, em vez de se recolher, foi ajudar alguém que precisava mais de braços do que de palavras.
É o teste mais simples de qualquer experiência espiritual verdadeira: ela põe a gente em movimento na direção de outra pessoa.
Hoje: faça, hoje mesmo, uma coisa concreta por alguém que precisa. Pequena e de verdade, não grande e adiada.
Dia 5 — Não têm mais vinho
Numa festa de casamento, o vinho acabou. Maria percebe antes de todos e diz ao Filho apenas o que está acontecendo — não sugere solução. Depois vira-se para os empregados e manda fazer o que ele disser (cf. Jo 2,1-11).
Esse é o jeito de Maria interceder: ela nota a falta, leva a falta a Jesus, e depois sai do caminho.
Quando alguém pede a Maria, não está pedindo a ela no lugar de Deus. Está pedindo que ela note, e ela nota.
Hoje: leve a ela a falta de outra pessoa, e não a sua. Reze a novena de hoje por alguém que você sabe que está em aperto.
Dia 6 — Ficar de pé
Junto à cruz, quando quase todos tinham fugido, ela estava lá, de pé (cf. Jo 19,25-27). Não há registro de que tenha dito qualquer coisa.
Há sofrimentos que não se resolvem, só se acompanham. Ficar ao lado de alguém que sofre, sem explicação e sem conselho, é das coisas mais difíceis que se pede a uma pessoa — e foi o que ela fez.
Foi ali também que Jesus a entregou como mãe ao discípulo, e o discípulo a recebeu em casa. É de onde vem tudo o que a Igreja diz sobre Maria ser mãe de quem crê.
Hoje: pense em alguém que está passando por algo sem solução. Não tente resolver; apenas faça essa pessoa saber que você está por perto.
Dia 7 — A primeira novena
Depois da Ascensão, os apóstolos voltaram para Jerusalém e ficaram reunidos em oração, com Maria e algumas mulheres, esperando o que fora prometido (cf. At 1,12-14).
Entre aquele dia e Pentecostes passam nove dias. É por isso que a Igreja chama aquela espera de a primeira novena — e é dela que descende esta que você está rezando.
Repare no que eles fizeram durante a espera: nada, além de rezar juntos. Não organizaram, não anteciparam, não desistiram no sexto dia.
Hoje: você está no sétimo. Se a resposta ainda não veio, este é exatamente o ponto da novena em que se aprende alguma coisa.
Dia 8 — Dos pobres
A imagem foi encontrada por trabalhadores, é pequena, é escura e estava quebrada. Nada nela tem a aparência de poder.
Talvez por isso a devoção tenha crescido primeiro entre gente simples, e não nas capelas dos ricos. Conta a tradição — e é tradição, não documento de época — que diante dessa imagem as correntes de um homem escravizado se partiram, e que ele foi deixado em liberdade.
Verdadeira ou não na letra, a história pegou porque diz algo que o povo reconheceu: que aquela mãe está do lado de quem não tem a quem recorrer.
Hoje: reze pelos que hoje estão presos a alguma coisa — dívida, vício, medo, trabalho que humilha. Se puder, ajude um deles concretamente.
Dia 9 — Enviados
A novena termina, e o pedido pode ou não ter sido atendido do jeito que você queria. As duas coisas acontecem, e a segunda acontece muito.
Toda oração cristã termina como a de Jesus no horto, que pediu que o cálice passasse e em seguida entregou a decisão ao Pai (cf. Mt 26,39). Isso não é derrota: é o que separa a oração da barganha.
Em 1930 o papa Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil, e em 1980 João Paulo II consagrou a basílica erguida em Aparecida, onde milhões vão todo ano. Mas o essencial continua sendo o que aconteceu no rio: uma mãe encontrada por quem trabalhava e não tinha resultado.
Hoje: agradeça, tenha ou não recebido o que pediu, e diga o que você vai fazer de diferente a partir de amanhã.