Natal do Senhor
Novena de Natal
Nove dias de espera, de 16 a 24 de dezembro, no caminho até o presépio.
Festa em 25 de dezembro.
No Brasil é costume rezar esta novena de 16 a 24 de dezembro, terminando na noite de Natal. É costume, e não regra: quem começar atrasado reza assim mesmo, e quem perder um dia continua no seguinte.
Os nove dias acompanham a espera — a de Israel, que esperou séculos, e a de Maria e José, que esperaram nove meses e terminaram numa cidade que não tinha lugar para eles.
Dia 1 — O que se esperava
Antes do presépio há uma espera longa. Israel esperou por gerações alguém que viesse pôr as coisas no lugar, e boa parte dessa gente morreu esperando.
Esperar sem prazo é diferente de esperar com data marcada. Não há como se preparar para o que não se sabe quando vem; só dá para continuar de pé.
O profeta fala de um povo que caminhava no escuro e viu uma grande luz (cf. Is 9,1). A frase supõe que o escuro durou.
Hoje: pense numa espera sua que já dura mais do que você queria. Diga a Deus que ela continua aí.
Dia 2 — O anjo e a pergunta
Gabriel chega a uma moça de uma cidade pequena e anuncia o que vai acontecer. Maria não responde sim na hora: primeiro pergunta como aquilo seria possível (cf. Lc 1,26-38).
A pergunta não é falta de fé. É o contrário: quem não leva a sério não pergunta como. E o anjo não a repreende — responde.
Hoje: faça a Deus a pergunta que você vem evitando fazer, por achar que não se pergunta isso.
Dia 3 — A visita
Maria poderia ter ficado em casa cuidando do que lhe acontecera. Em vez disso, atravessa a região para ajudar Isabel, que também esperava um filho e já era idosa (cf. Lc 1,39-45).
A primeira coisa que ela faz depois de receber a notícia maior da história é pegar a estrada para ser útil a alguém.
Hoje: vá ver, ou pelo menos ligue para, aquela pessoa que você sabe que está precisando — e não porque sobrou tempo.
Dia 4 — José, que não entendeu e ficou
José descobre que Maria espera um filho que não é dele. A lei lhe dava saída honrosa, e ele decidiu usá-la em silêncio, sem expô-la. Foi então que o sonho o alcançou (cf. Mt 1,18-25).
Vale reparar na ordem: ele já tinha escolhido proteger a reputação dela antes de qualquer explicação do céu. O sonho encontrou um homem que já era justo.
Hoje: onde você tem razão e poderia expor alguém, escolha não expor.
Dia 5 — O recenseamento
O que põe a família na estrada não é uma visão: é um decreto de imposto vindo de Roma, que obrigava cada um a se registrar na cidade de origem (cf. Lc 2,1-5).
A burocracia de um império pagão entra na história como parte do caminho. Deus não desviou a política; passou por dentro dela.
Hoje: olhe a contrariedade prática da sua semana — a fila, o documento, o chefe — e considere que o caminho passa por ali mesmo.
Dia 6 — A estrada
São mais de cem quilômetros de Nazaré a Belém, com uma mulher no fim da gravidez. O Evangelho não descreve o trajeto; diz só que subiram.
O silêncio do texto é honesto: a maior parte da vida de fé acontece em dias que ninguém narra, andando.
Hoje: faça bem uma coisa monótona e necessária, sem contar a ninguém.
Dia 7 — Não havia lugar
Chegam, e não há lugar para eles na hospedaria (cf. Lc 2,7). A frase é curta e não acusa ninguém: a cidade estava cheia por causa do mesmo decreto.
Ninguém fechou a porta por maldade. Foi por falta de espaço — que é como quase sempre acontece de ficarmos de fora, e de deixarmos alguém de fora.
Hoje: pergunte-se de quem você anda sem tempo, e abra um espaço concreto nesta semana.
Dia 8 — Os primeiros a saber
A notícia não vai ao palácio nem ao templo: vai a pastores que passavam a noite ao relento tomando conta do rebanho (cf. Lc 2,8-20). Gente de turno da noite, em trabalho que ninguém inveja.
Foram eles os primeiros a ir ver, e os primeiros a contar.
Hoje: repare em quem faz o trabalho que sustenta o seu dia e agradeça pelo nome.
Dia 9 — A noite
O que se celebra hoje não é uma ideia: é um parto, numa cidade lotada, longe de casa. O menino é enfaixado e posto numa manjedoura, que é onde os animais comem (cf. Lc 2,7).
Deus não entrou no mundo por cima. Entrou por onde todo mundo entra, e num lugar pior que a média.
Hoje: na ceia, antes de tudo, fique um minuto em silêncio olhando para o presépio. Só isso.